Há quase um século, Carl Jung observou que o sofrimento psíquico de uma criança muitas vezes não nasce de suas próprias experiências, mas do material não resolvido que os pais carregam em silêncio — vocações abandonadas, amores não encerrados, talentos guardados por prudência. Essa 'vida não vivida' não desaparece: permanece ativa no inconsciente e se transmite de forma difusa, moldando as escolhas e a identidade da geração seguinte. A observação não é uma acusação, mas um convite: o autoconhecimento adulto, longe de ser um projeto narcisista, torna-se um ato de responsabilidade intergeraciona