Em janeiro de 1882, o céu do Rio de Janeiro foi rasgado por um bólido que durou apenas cinco segundos — tempo suficiente para iluminar uma cidade inteira e revelar, numa só cena, a convivência permanente entre o rigor da ciência, o medo ancestral do desconhecido e a ironia com que os humanos costumam domesticar o que não compreendem. O fenômeno, registrado com precisão pelos astrônomos do Imperial Observatório e transformado em sátira pelos jornais da Corte, não deixou fragmentos no solo — apenas memória impressa e a lembrança de que o cosmos, de tempos em tempos, interrompe a rotina dos morta
A noite em que um bólido iluminou o Rio de Janeiro em 1882
Muitos cariocas se assustaram imaginando que a enorme massa de luz pudesse desabar sobre a humanidade, gerando pânico momentâneo na população.