Dúvidas sobre financiamento da Strategy abalam confiança no Bitcoin

A máquina está começando a engasgar
Investidores questionam se o modelo de financiamento da Strategy consegue sustentar a demanda por Bitcoin em um mercado prolongadamente desfavorável.

O que Michael Saylor ergueu como uma máquina perpétua de acumulação de Bitcoin começa a revelar suas costuras. A Strategy, maior compradora corporativa da criptomoeda, viu suas ações preferenciais perderem um quarto do valor e quebrou a promessa de nunca vender — dois sinais que, juntos, abalaram a fé de investidores de varejo e institucionais num modelo que parecia inabalável. O episódio levanta uma questão mais antiga do que o próprio mercado cripto: engenharia financeira sofisticada reduz o risco, ou apenas o disfarça com uma embalagem mais elegante?

  • O STRC, vendido como a opção 'segura' para quem acreditava em Bitcoin, despencou de US$ 100 para US$ 75, impondo perdas reais a investidores de varejo que confiaram na promessa de rendimento estável.
  • A venda de 32 Bitcoins em junho — a primeira desde 2022 — quebrou um compromisso público de Saylor e forçou o mercado a rever a premissa central de que a Strategy jamais desfaria suas posições.
  • ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de quase US$ 3 bilhões no mesmo mês, revelando que a crise de confiança na Strategy está contaminando o mercado mais amplo.
  • Especialistas apontam que o Bitcoin está cada vez mais dependente de demanda institucional justamente quando um de seus principais motores de financiamento começa a rachar.
  • O mercado agora testa se é possível fabricar versões mais seguras de ativos especulativos — ou se os riscos foram apenas reembalados, não eliminados.

A máquina que Michael Saylor construiu para comprar Bitcoin está dando sinais de desgaste. Durante dois anos, a Strategy funcionou como motor constante de demanda pela criptomoeda, usando engenharia financeira sofisticada para financiar compras contínuas. Agora, com o Bitcoin bem abaixo de US$ 60 mil, investidores questionam se o modelo sobrevive a um mercado prolongadamente desfavorável.

No centro da preocupação está o STRC, título preferencial que a empresa vendeu como o 'momento iPhone' — uma forma de investidores comuns obterem rendimento mensal elevado sem enfrentar a volatilidade das ações ordinárias. Saylor afirmou que cerca de 80% dos títulos foram adquiridos por pessoas físicas. O problema é que o papel não se comportou como prometido: caiu de US$ 100 para cerca de US$ 75, não tem data de vencimento, não garante direito sobre as reservas de Bitcoin e seus dividendos podem ser suspensos a qualquer momento — riscos que talvez não tenham sido plenamente compreendidos na hora da compra.

O que realmente abalou a confiança foi a venda de 32 Bitcoins em junho, a primeira alienação da empresa desde 2022. O volume é pequeno, mas a transação quebrou uma promessa antiga de Saylor. Investidores que construíram suas teses sobre a ideia de acumulação perpétua tiveram que rever suas premissas.

O impacto transbordou para o mercado. ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de quase US$ 3 bilhões no mês. Alex Blume, da gestora Two Prime, alertou que o comportamento vacilante da Strategy continua assustando o mercado. Andreja Cobeljic, do Amina Bank, foi mais direto: a causa da queda do Bitcoin é cíclica, mas o gatilho é o abalo de credibilidade na própria estratégia da empresa.

O colapso do STRC coloca à prova uma tese maior: se o mercado cripto consegue fabricar versões genuinamente mais seguras de ativos especulativos, ou se apenas reembalou os riscos de forma criativa. A resposta dos próximos meses pode redefinir como Wall Street pensa sobre engenharia financeira aplicada a criptomoedas.

A máquina que Michael Saylor construiu para comprar Bitcoin está começando a dar sinais de desgaste, e o mercado está percebendo. Durante dois anos, a Strategy funcionou como um motor constante de demanda pela criptomoeda, usando uma engenharia financeira sofisticada para financiar compras contínuas. Agora, com o Bitcoin negociado bem abaixo de US$ 60 mil, investidores começam a questionar se esse modelo consegue sobreviver a um mercado prolongadamente desfavorável.

No coração dessa preocupação está o STRC, um título preferencial que a Strategy vendeu como o "momento iPhone" da empresa — uma forma de investidores comuns ganharem rendimento mensal elevado sem enfrentar a volatilidade extrema das ações ordinárias. A promessa era sedutora: uma conta de poupança de alto rendimento, pagando o dobro da taxa normal, para quem acreditasse em Bitcoin. Saylor disse que cerca de 80% dos títulos foram comprados por investidores de varejo, pessoas que confiavam na visão de longo prazo da empresa.

Mas o STRC não se comportou como uma conta de poupança segura. O preço caiu de US$ 100 na emissão para cerca de US$ 75, impondo perdas reais em quem comprou o que lhe foi vendido como a opção mais segura. Com os compradores desaparecendo, o rendimento do papel disparou — um sinal clássico de desconfiança. Pior ainda, o título não tem data de vencimento, não dá direito sobre as reservas de Bitcoin da empresa e seus dividendos podem ser reduzidos ou suspensos a qualquer momento. Esses riscos estruturais talvez não tenham sido plenamente compreendidos quando os papéis foram oferecidos.

O que realmente abalou a confiança, porém, foi a venda de 32 Bitcoins em junho — a primeira alienação da Strategy desde 2022. O volume é pequeno diante das posições da empresa, mas a transação quebrou uma promessa antiga de Saylor de nunca vender. Investidores que construíram suas teses sobre a ideia de que a Strategy acumularia Bitcoin indefinidamente tiveram que rever suas premissas. Se a empresa estava vendendo, talvez o modelo não fosse tão inabalável quanto parecia.

O impacto vai muito além de uma única empresa. Os ETFs spot de Bitcoin registraram saídas líquidas de quase US$ 3 bilhões em junho. Investidores de varejo que compraram após o lançamento desses fundos continuam no prejuízo. O Bitcoin está cada vez mais dependente de fontes institucionais de demanda justamente no momento em que a confiança em um de seus mais importantes motores de financiamento começa a rachar. Alex Blume, fundador da gestora Two Prime, observou que o comportamento vacilante da Strategy continua assustando o mercado, lembrando outros grandes colapsos que já foram vistos. Andreja Cobeljic, chefe de trading de derivativos do Amina Bank, foi mais direto: a causa da queda do Bitcoin é uma fraqueza cíclica, mas o gatilho é o abalo de credibilidade na estratégia da Strategy.

Durante anos, a Strategy demonstrou que Wall Street poderia usar engenharia financeira para transformar o Bitcoin em uma estratégia de aquisição em expansão contínua. O colapso do STRC agora testa uma tese muito maior: se a tentativa do mercado cripto de fabricar versões mais seguras e geradoras de renda de ativos especulativos consegue sobreviver a um bear market prolongado, ou se os riscos foram apenas reembalados de forma criativa, e não de fato reduzidos. A resposta que o mercado der nos próximos meses pode redefinir como Wall Street pensa sobre a engenharia financeira aplicada a criptomoedas.

O comportamento vacilante da Strategy continua assustando o mercado, lembrando outros grandes colapsos que o mercado já viu
— Alex Blume, fundador e CEO da Two Prime
A causa da queda do Bitcoin é uma fraqueza cíclica, mas o gatilho é o abalo de credibilidade na estratégia da Strategy
— Andreja Cobeljic, chefe de trading de derivativos do Amina Bank
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que exatamente o STRC caiu de US$ 100 para US$ 75? Parece um movimento pequeno para gerar tanta preocupação.

Model

Não é o tamanho da queda que importa — é o que ela sinaliza. Quando um título que foi vendido como seguro começa a cair, os investidores percebem que não entendem completamente o que compraram. E quando os compradores desaparecem, o rendimento dispara. Isso é um grito de alerta.

Inventor

Mas a Strategy ainda tem Bitcoin. Por que os investidores não confiam que a empresa consegue pagar os dividendos?

Model

Porque o STRC não é um título tradicional. Não tem data de vencimento, não dá direito sobre as reservas de Bitcoin, e os dividendos podem ser suspensos a qualquer momento. É mais parecido com uma aposta na visão de Saylor do que com um investimento seguro. Quando essa visão é questionada, tudo desaba.

Inventor

A venda de 32 Bitcoins foi realmente tão significativa assim?

Model

O volume é irrelevante. O que importa é que Saylor prometeu nunca vender. Quando você quebra uma promessa fundamental, os investidores começam a questionar tudo. Se ele está vendendo agora, por que não venderá mais? O modelo inteiro depende da crença de que a Strategy vai acumular Bitcoin para sempre.

Inventor

Então o problema é apenas psicológico? Confiança abalada?

Model

Não é apenas psicológico. O modelo de financiamento da Strategy depende de conseguir vender esses títulos preferenciais a preços razoáveis. Se ninguém quer comprar, o custo de capital sobe. E se o custo de capital sobe, a empresa não consegue financiar novas compras de Bitcoin. A máquina para.

Inventor

O que isso significa para o Bitcoin em geral?

Model

Significa que o Bitcoin estava cada vez mais dependente de um único motor de demanda — a Strategy. Agora que esse motor está falhando, o Bitcoin fica mais vulnerável. E isso acontece justamente quando os investidores de varejo estão saindo dos ETFs spot. Faltam compradores.

Inventor

Isso pode ser revertido?

Model

Talvez. Se o Bitcoin se recuperar e subir acima de US$ 60 mil, a confiança volta. Mas se continuar caindo, o STRC vai piorar, e a Strategy vai ter dificuldade para financiar novas compras. É um ciclo que pode se alimentar a si mesmo.

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