53 praias portuguesas recebem distinção Zero Poluição; três na região Norte

Uma única análise com microrganismos remove uma praia da lista
O critério para Zero Poluição é tão rigoroso que qualquer deteção de contaminação, mesmo mínima, desqualifica uma praia.

Apenas 53 praias em 30 concelhos atingem o padrão Zero Poluição, exigindo ausência total de contaminação microbiológica em três épocas consecutivas. Comparado a 2020, houve redução: saíram 29 praias e entraram 14 novas, refletindo dificuldades crescentes em manter qualidade hídrica.

  • 53 praias em 30 concelhos conquistaram a distinção Zero Poluição em 2021
  • Representa apenas 8% das 643 zonas balneares em funcionamento
  • Queda de 68 praias em 2020 para 53 em 2021; 29 saíram da lista, 14 entraram
  • Nenhuma praia interior qualificou-se; todas as 53 são costeiras ou estuarinas
  • Três praias da região Norte: Pedras do Corgo (Matosinhos), Aguda e Granja (Vila Nova de Gaia)

A associação Zero distinguiu 53 praias com Zero Poluição em Portugal, representando 8% das 643 zonas balneares. Três praias da região Norte (Matosinhos e Vila Nova de Gaia) integram esta lista de excelência ambiental.

A associação ambientalista Zero anunciou esta semana que 53 praias portuguesas conquistaram a distinção de Zero Poluição para a época balnear que se inicia, um reconhecimento que representa apenas 8% das 643 zonas balneares que funcionarão em todo o país. A notícia chegou numa quarta-feira, dias antes da abertura de mais 191 praias entre quinta e sábado, e trouxe consigo um retrato misto: enquanto algumas praias mantêm padrões impecáveis de limpeza, outras caíram da lista, sinalizando desafios crescentes na preservação da qualidade das águas.

Para receber esta distinção, uma praia precisa de cumprir um critério rigoroso: não pode apresentar qualquer contaminação microbiológica nas análises realizadas ao longo de três épocas balneares consecutivas. É um padrão exigente. Na região Norte, três praias conquistaram este reconhecimento: Pedras do Corgo em Matosinhos, e Aguda e Granja em Vila Nova de Gaia. Outras praias nortistas também figuram na lista — Fão-Ofir e Suave Mar em Esposende, Vila Chã em Vila do Conde, e Afife em Viana do Castelo. No total, o continente abriga 43 destas praias em 24 concelhos, enquanto os Açores somam seis e a Madeira quatro.

O quadro comparativo com o ano anterior revela, porém, uma tendência preocupante. Em 2020, a Zero havia distinguido 68 praias. Este ano, o número caiu para 53. Isto significa que 29 praias perderam o estatuto de Zero Poluição, enquanto apenas 14 novas conseguiram alcançá-lo. Os concelhos que mais sofreram com estas retiradas foram Torres Vedras e Angra do Heroísmo, que perderam respetivamente nove e cinco praias da lista. Por outro lado, Alcobaça, Porto Santo e Tavira lideram com quatro praias cada uma, seguidas por Faro, Peniche, Sesimbra e Vila do Bispo, com três cada.

Um aspecto particularmente revelador é a ausência total de praias interiores na lista. Pela segunda vez consecutiva, nenhuma zona balnear em rios ou ribeiras conseguiu manter um registo impecável durante os três anos de avaliação. A Zero explica que estas zonas são "extremamente difíceis" de manter limpas, muito mais vulneráveis à poluição microbiológica do que as praias costeiras. Isto contrasta com o período de 2016 a 2019, quando ainda havia praias interiores na lista. A única exceção é uma praia em zona estuarina, classificada como de transição. Este padrão aponta para um problema estrutural: a qualidade das águas interiores em Portugal está a degradar-se, exigindo esforços muito mais robustos em saneamento urbano e controlo da poluição industrial.

Os dados que sustentam estas avaliações provêm da Agência Portuguesa do Ambiente, responsável pela monitorização e classificação das águas balneares. Segundo informações recentes da APA, uma análise intercalar realizada em 2018 já havia revelado um decréscimo significativo da qualidade da água em muitas das massas de água nacionais, comparando com o diagnóstico anterior. Embora todas as praias distinguidas como Zero Poluição sejam oficialmente classificadas como tendo qualidade "excelente", a barra para manter esta distinção é tão alta que uma única análise com presença de microrganismos — mesmo que muito abaixo dos limites legais — é suficiente para remover uma praia da lista.

A Zero sublinha que este cenário "é um indicador do muito que ainda há a fazer para garantir uma boa qualidade da água dos rios e ribeiras em Portugal". O desafio não é apenas ambiental, mas também de infraestrutura: requer investimentos significativos em sistemas de saneamento urbano e maior controlo sobre as fontes de poluição industrial. O facto de apenas 8% das praias balneares nacionais atingirem este padrão de pureza sugere que a maioria das zonas de banho enfrenta algum grau de contaminação microbiológica, mesmo que dentro dos limites legais aceitáveis. Para a época balnear que agora começa, estas 53 praias representam refúgios de qualidade comprovada — mas a tendência descendente levanta questões sobre quanto tempo conseguirão manter este estatuto.

É extremamente difícil conseguir um registo incólume ao longo de três anos nas zonas balneares interiores, muito mais suscetíveis à poluição microbiológica
— Associação Zero
É um indicador do muito que ainda há a fazer para garantir uma boa qualidade da água dos rios e ribeiras em Portugal, o que requer esforços adicionais ao nível do saneamento urbano e das empresas
— Associação Zero
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

O que significa exatamente uma praia "Zero Poluição"? É apenas uma questão de estar dentro dos limites legais?

Model

Não, é muito mais rigoroso. Significa ausência total de contaminação microbiológica durante três anos seguidos. Uma praia pode estar legalmente "excelente" e ainda assim perder esta distinção se uma única análise detetar microrganismos, mesmo que mínimos.

Inventor

Então a Zero está a estabelecer um padrão mais alto do que a lei exige?

Model

Exatamente. É uma forma de identificar as praias verdadeiramente pristinas, não apenas as que cumprem o mínimo legal. Mas isto também explica por quê apenas 8% das praias conseguem esta distinção.

Inventor

Porque é que nenhuma praia interior qualificou-se este ano?

Model

As águas interiores são muito mais suscetíveis à poluição. Recebem escoamento urbano, industrial, agrícola. Manter três anos sem qualquer contaminação é praticamente impossível com a infraestrutura atual de saneamento em Portugal.

Inventor

E a queda de 68 para 53 praias em relação a 2020 — isto significa que as águas estão a ficar mais poluídas?

Model

Não necessariamente mais poluídas em termos absolutos, mas mais instáveis. Algumas praias que eram limpas caíram da lista porque tiveram um ano com deteção de microrganismos. É um sinal de que manter a pureza é cada vez mais difícil.

Inventor

Qual é o significado real desta lista para alguém que quer ir à praia?

Model

É uma garantia de qualidade máxima. Mas também é um aviso: 92% das praias balneares têm algum nível de contaminação, mesmo que legal. A lista mostra que a maioria das nossas águas balneares não está num estado ideal.

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