3G Capital é excluída de ação arbitral contra Americanas; trio segue como réu

Investidores minoritários sofreram perdas financeiras pela aquisição de ações com base em informações contábeis fraudulentas divulgadas pela Americanas.
Os três acionistas permanecem respondendo individualmente pelo processo
Enquanto a 3G Capital foi removida da ação arbitral, Lemann, Telles e Sicupira continuam como réus.

No rastro de um dos maiores escândalos contábeis do varejo brasileiro, a 3G Capital Partners foi retirada de um processo arbitral movido por acionistas minoritários da Americanas — mas os bilionários Lemann, Telles e Sicupira permanecem individualmente no banco dos réus. A ação, conduzida pelo Instituto Ibero-americano da Empresa, busca reparar investidores que compraram ações com base em informações financeiras que a própria companhia hoje reconhece como fraudulentas. É o momento em que o mercado exige que a confiança quebrada tenha um preço.

  • A exclusão da 3G Capital do processo arbitral não encerra a responsabilidade dos seus fundadores: Lemann, Telles e Sicupira continuam como réus em nome próprio.
  • Investidores minoritários pedem não apenas a devolução do dinheiro pago por ações superfaturadas, mas também indenização pela perda de oportunidade causada pela fraude.
  • A Americanas ainda não publicou resultados trimestrais desde o quarto trimestre de 2022, deixando credores e acionistas sem visibilidade real sobre a saúde financeira da empresa.
  • A divulgação dos dados do primeiro trimestre de 2023 depende do fechamento do balanço anual de 2022 — e a companhia estima até 60 dias adicionais após essa conclusão para publicá-los.
  • O que começou como 'inconsistências contábeis' foi reconhecido pela própria Americanas como fraude, aprofundando a crise de credibilidade e multiplicando as frentes jurídicas.

A 3G Capital Partners, empresa de investimentos dos bilionários Jorge Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, foi removida do polo passivo de um procedimento arbitral relacionado ao escândalo contábil da Americanas. A decisão, datada de 5 de julho, foi comunicada ao mercado via documento enviado à CVM. Apesar da exclusão da empresa, os três sócios continuam respondendo individualmente pelo processo.

A arbitragem CAM 236/23 foi instaurada pelo Instituto Ibero-americano da Empresa, associação voltada à defesa de acionistas minoritários. Além dos três bilionários, permanecem como réus a própria Americanas e entidades ligadas à sua estrutura corporativa, como Cathos Holdings, BRC S.A.R.L., Cedar Trade LLC e SVelame S.A.R.L. A acusação central é de violação dos deveres de transparência e prestação de informações financeiras corretas ao mercado.

Os investidores minoritários pedem a anulação das compras de ações realizadas com base em dados fraudulentos, a devolução integral dos valores pagos com correção monetária, o ressarcimento da diferença entre o preço pago e o preço que seria justo, e ainda indenização pelos danos decorrentes da perda de oportunidade de investimento.

O escândalo ganhou novos contornos quando a Americanas passou de admitir 'inconsistências' a reconhecer formalmente a existência de fraudes em seus balanços. Desde então, a varejista não conseguiu normalizar sua situação financeira nem retomar o ritmo regular de divulgação de resultados — os dados do quarto trimestre de 2022 nunca foram publicados. A empresa estima divulgar os resultados do primeiro trimestre de 2023 em até 60 dias após concluir o balanço anual de 2022, mantendo investidores e credores em prolongada incerteza.

A 3G Capital Partners, a empresa de investimentos controlada pelos bilionários Jorge Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, foi removida de um procedimento arbitral movido contra a Americanas após o escândalo contábil que abalou a varejista. A decisão, proferida em 5 de julho, foi comunicada ao mercado pela Americanas na última sexta-feira através de documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários. Ainda que a empresa de investimentos tenha sido excluída do polo passivo da ação — aquele que reúne os réus — os três acionistas de referência da Americanas permanecem respondendo individualmente pelo processo.

O procedimento arbitral CAM 236/23 foi instaurado pelo Instituto Ibero-americano da Empresa, uma associação civil dedicada à defesa de acionistas minoritários. Além de Lemann, Telles e Sicupira, também figuram como réus a própria Americanas e outras entidades ligadas à estrutura corporativa da companhia: Cathos Holdings S.A.R.L., BRC S.A.R.L., Cedar Trade LLC e SVelame S.A.R.L. A ação central acusa todos os mencionados de violar deveres fundamentais relacionados à prestação de informações financeiras corretas aos acionistas e ao mercado.

O que os investidores minoritários buscam recuperar é substancial. A ação pede a anulação das compras de ações da Americanas realizadas com base em informações financeiras fraudulentas, seguida da devolução integral dos valores pagos, com correções monetárias aplicadas. Além disso, requer o pagamento da diferença entre o preço pelo qual as ações foram adquiridas — baseado nas informações divulgadas ao mercado — e o que seria o preço correto do papel. Há também pedido de ressarcimento pelos prejuízos decorrentes da perda de oportunidade, ou seja, o dano causado aos investidores por terem alocado recursos em ações precificadas incorretamente.

O escândalo que originou essa ação eclodiu quando a Americanas reconheceu a existência de inconsistências contábeis em seus balanços. O que começou como uma denúncia de inconsistências evoluiu para o reconhecimento de fraudes pela própria companhia a partir do mês passado. Desde então, a varejista tem enfrentado dificuldades para normalizar sua situação financeira e de divulgação de informações.

Em paralelo ao procedimento arbitral, a Americanas segue atrasada na divulgação de seus resultados trimestrais. A companhia não publica esses dados — fundamentais para que investidores analisem o desempenho da empresa — desde o quarto trimestre de 2022. Os números referentes ao período de outubro a dezembro daquele ano deveriam ter sido divulgados no início deste ano, mas foram suspensos após a descoberta das inconsistências contábeis. A companhia informou que está revisando e preparando suas demonstrações financeiras, incluindo o fechamento completo do ano passado.

A divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2023 depende da conclusão das demonstrações financeiras de 2022. Embora a Americanas não tenha fornecido uma data certa para essa divulgação, a companhia estimou que os dados do primeiro trimestre serão publicados em até 60 dias após a liberação do balanço anual. Essa sequência de atrasos e revisões mantém investidores e credores em situação de incerteza sobre a real situação financeira da varejista, enquanto os processos legais avançam nos bastidores.

A ação pede a condenação de todos os mencionados no processo pela violação dos deveres relacionados à prestação de informações corretas da Americanas aos acionistas e ao mercado
— Instituto Ibero-americano da Empresa, autor da ação arbitral
La Conversación del Hearth Otra perspectiva de la historia
Inventor

Por que a 3G Capital foi removida da ação se Lemann, Telles e Sicupira continuam como réus?

Model

A decisão técnica separa a entidade jurídica da pessoa física. A 3G Capital é uma empresa de investimentos; os três bilionários são pessoas naturais. O tribunal arbitral entendeu que havia razão para manter os indivíduos respondendo, mas não a empresa.

Inventor

Isso significa que a 3G Capital estava sendo responsabilizada por algo que não fez?

Model

Não necessariamente. Pode significar que a empresa não tinha responsabilidade legal direta pelas violações alegadas, ou que as provas não sustentavam sua permanência no processo. A arbitragem é um procedimento técnico — cada parte precisa ter uma base legal clara para estar ali.

Inventor

Os acionistas minoritários têm chance real de recuperar o dinheiro?

Model

Depende do que a arbitragem encontrar. Se comprovarem que houve fraude nas informações financeiras — e a própria Americanas já admitiu isso — há base para condenação. Mas a execução de uma sentença arbitral contra bilionários é sempre complexa.

Inventor

Por que a Americanas ainda não divulgou seus resultados trimestrais?

Model

Porque precisa primeiro fechar e revisar as demonstrações financeiras de 2022. Não pode publicar números de 2023 sem ter certeza de que os de 2022 estão corretos. É um efeito cascata da fraude contábil.

Inventor

Isso prejudica quem está investindo agora na Americanas?

Model

Prejudica qualquer um que tente tomar decisões baseadas em dados. Sem informações financeiras recentes e confiáveis, investidores não conseguem avaliar se a empresa está se recuperando ou piorando. É um vácuo de informação num momento crítico.

Contáctanos FAQ