Criar um espaço de diálogo qualificado sobre saúde mental é uma responsabilidade coletiva
Em um tempo em que o sofrimento emocional se tornou parte silenciosa do cotidiano de muitos brasileiros, Campo Grande se prepara para sediar, em 15 de agosto, a primeira Jornada de Gestalt-terapia de Mato Grosso do Sul — um encontro que convida profissionais, estudantes e pesquisadores a refletir sobre o cuidado humano como prática coletiva e ética. A Gestalt-terapia, abordagem que valoriza a presença, os vínculos e a responsabilidade mútua, ganha relevância justamente quando a hiperconectividade isola, as redes de apoio se fragilizam e a ansiedade deixou de ser exceção para se tornar norma. O evento não é apenas um congresso técnico — é um gesto de resposta a uma urgência que a sociedade sul-mato-grossense, como tantas outras, já não pode adiar.
- Os índices de ansiedade, depressão e sobrecarga emocional crescem em Mato Grosso do Sul, e a demanda por psicoterapia acompanha esse movimento sem que a oferta de práticas qualificadas acompanhe no mesmo ritmo.
- A hiperconectividade paradoxalmente aprofunda o isolamento, enquanto redes de apoio comunitárias e familiares se enfraquecem, deixando pessoas mais vulneráveis ao sofrimento social.
- Psicólogos, estudantes e pesquisadores se mobilizam para criar, pela primeira vez no estado, um espaço de diálogo qualificado sobre Gestalt-terapia e suas respostas às demandas emocionais contemporâneas.
- A programação enfrenta de frente temas como ansiedade, solidão, luto, sobrecarga e as barreiras específicas enfrentadas por grupos minoritários, como a população LGBTQIAPN+, no acesso ao cuidado psicológico.
- O evento, marcado para 15 de agosto em Campo Grande, posiciona Mato Grosso do Sul como território de reflexão ativa sobre saúde mental — transformando urgência em ação concreta e coletiva.
A saúde mental virou assunto de urgência no Brasil, e os números confirmam: ansiedade, depressão e sofrimento emocional crescem enquanto as redes de apoio se fragilizam e a hiperconectividade paradoxalmente isola. Em resposta a essa realidade, Campo Grande receberá, no dia 15 de agosto, a primeira Jornada de Gestalt-terapia de Mato Grosso do Sul — evento inédito no estado dedicado a uma abordagem psicoterapêutica que coloca no centro a presença, os vínculos e a responsabilidade coletiva no cuidado emocional.
A Gestalt-terapia é amplamente ensinada na formação de psicólogos brasileiros, mas ganha relevância especial agora, quando transtornos ligados ao estresse disparam e a procura por psicoterapia cresce no estado. Ana Maria Del Grossi Mota, psicóloga clínica e doutora em Psicologia da Saúde, é uma das organizadoras. Para ela, criar espaços de diálogo qualificado sobre saúde mental é uma responsabilidade coletiva — e a Jornada nasce exatamente com esse propósito: fortalecer vínculos entre profissionais e ampliar o acesso da população a práticas terapêuticas mais humanas e sensíveis ao contexto local.
A programação percorre a história da Gestalt-terapia no mundo e no Brasil, seus fundamentos filosóficos, os desafios das políticas públicas de saúde mental e questões que habitam o cotidiano das pessoas: ansiedade, solidão, luto, sobrecarga e sofrimento social. Há também espaço para debater as barreiras específicas enfrentadas pela população LGBTQIAPN+ no acesso ao cuidado psicológico sensível.
As inscrições já estão abertas. O encontro reúne psicólogos, estudantes e pesquisadores num momento em que a conversa sobre saúde mental deixou de ser privilégio para se tornar necessidade — e Campo Grande escolhe não ficar de fora dessa resposta.
A saúde mental virou assunto de urgência no Brasil. Nos últimos anos, os números não mentem: mais ansiedade, mais depressão, mais gente carregando sofrimento emocional como se fosse parte natural da vida. Em agosto, Campo Grande vai sediar um evento que tenta mudar essa conversa. No dia 15, a cidade recebe a primeira Jornada de Gestalt-terapia de Mato Grosso do Sul — um encontro dedicado inteiramente a uma abordagem psicoterapêutica que coloca no centro das coisas a presença, os vínculos e a responsabilidade de cuidar um do outro.
A Gestalt-terapia não é novidade nos consultórios brasileiros. Milhares de psicólogos aprendem essa abordagem humanista durante a formação. Mas o que a torna especialmente relevante agora é justamente o que estamos vivendo: transtornos ligados ao estresse disparando, profissionais de todas as áreas sobrecarregados, as redes de apoio enfraquecidas, a hiperconectividade deixando as pessoas mais isoladas mesmo quando conectadas. A procura por psicoterapia em Mato Grosso do Sul cresceu, e a Jornada nasce como resposta a essa realidade.
Ana Maria Del Grossi Mota, psicóloga clínica e doutora em Psicologia da Saúde, é uma das organizadoras. Ela fala de pessoas sobrecarregadas, engolidas pelas rotinas, imersas em sofrimentos que viraram rotina. "Criar um espaço de diálogo qualificado sobre saúde mental é uma responsabilidade coletiva", diz ela. A Jornada, segundo Mota, quer fortalecer vínculos entre profissionais e, principalmente, dar à população sul-mato-grossense acesso a práticas terapêuticas mais humanas, mais sensíveis ao contexto local, que acolham as vivências com ética.
O evento vai reunir psicólogos, estudantes e pesquisadores para debater temas que tocam a vida de verdade: saúde mental, relações humanas, sofrimento contemporâneo, acesso a terapia de qualidade. A programação é densa. Vai passar pela história da Gestalt-terapia no mundo, no Brasil e especificamente em Mato Grosso do Sul. Vai explorar os fundamentos filosóficos que sustentam a prática clínica. Vai discutir os desafios que a saúde mental enfrenta nas políticas públicas. E vai mergulhar em questões que estão na vida das pessoas agora: ansiedade, solidão, luto, sobrecarga, sofrimento social.
Há também espaço para conversar sobre as dificuldades enfrentadas por grupos minoritários — a população LGBTQIAPN+, que enfrenta barreiras específicas no acesso a cuidado psicológico sensível. Os debates vão tocar na importância dos vínculos e da comunidade no cuidado psicológico, temas que ecoam em famílias, escolas, empresas, serviços de saúde públicos e privados.
As inscrições já estão abertas. O encontro acontece em Campo Grande no dia 15 de agosto. É o primeiro evento desse tipo no estado, e chega em um momento em que a conversa sobre saúde mental deixou de ser luxo para virar necessidade.
Citações Notáveis
Vivemos um tempo em que as pessoas estão sobrecarregadas e engolidas pelas suas rotinas, imersas em diferentes tipos de sofrimento emocional— Ana Maria Del Grossi Mota, psicóloga clínica e organizadora da Jornada
A Conversa do Hearth Outra perspectiva sobre a história
Por que agora? Por que Mato Grosso do Sul precisa de um evento sobre Gestalt-terapia especificamente em 2026?
Porque o sofrimento emocional virou rotina. As pessoas estão mais ansiosas, mais deprimidas, e a procura por psicoterapia cresceu. Mas não é só oferta — é também sobre oferecer uma abordagem que faz sentido para o contexto local, que seja humana e ética.
A Gestalt-terapia é tão diferente de outras abordagens psicoterapêuticas?
Ela coloca a presença no centro. Não é sobre analisar o passado infinitamente ou aplicar técnicas genéricas. É sobre estar aqui, agora, com a pessoa, e entender como ela está vivendo no seu contexto real.
Qual é o risco se a gente não tiver espaços assim de diálogo sobre saúde mental?
O sofrimento vira invisível. As pessoas normalizam estar mal. As redes de apoio enfraquecem. E quem mais sofre são os que já estão à margem — como a população LGBTQIAPN+, que precisa de cuidado sensível e muitas vezes não encontra.
Quem vai estar lá? É só para psicólogos?
Não. Vão psicólogos, estudantes, pesquisadores. Mas a ideia é que a população em geral tenha acesso a essas práticas. É uma responsabilidade coletiva, como dizem os organizadores.
E depois do evento? Muda alguma coisa na prática?
Muda se os profissionais saem de lá com vínculos fortalecidos, com ferramentas mais sensíveis, e levam isso para os consultórios, as escolas, os serviços públicos. É um começo.