Dez alunos passam mal após uso de spray de pimenta por Guarda Municipal em escola de Goiânia

Aproximadamente dez crianças entre 10-11 anos passaram mal e receberam atendimento de ambulâncias e bombeiros após exposição a spray de pimenta.
A escola é um local de aprendizagem, não um espaço para praticar violência
Argumento da GCM para justificar o uso de spray de pimenta contra crianças em briga na quadra escolar.

Em uma manhã de maio em Goiânia, o que deveria ser uma palestra sobre civismo tornou-se símbolo de uma contradição profunda: agentes do Estado, convidados para ensinar segurança, acabaram por expor crianças de dez e onze anos ao gás que deveriam protegê-las. O episódio na escola municipal Dalka Leles não é apenas um incidente isolado — é um espelho das tensões entre ordem e cuidado, entre força e proteção, que atravessam as instituições responsáveis pela infância.

  • Uma briga entre trinta e quarenta jovens no pátio escolar escalou rapidamente, forçando guardas municipais a uma decisão que nenhum protocolo educacional deveria contemplar.
  • O spray de pimenta direcionado ao chão atingiu crianças alheias à confusão, deixando dez alunos com dificuldade para respirar e olhos em chamas dentro de uma escola.
  • Ambulâncias do Samu, bombeiros e a Polícia Militar convergiram para o que deveria ser um espaço de aprendizado, transformando a cena em algo mais próximo de uma ocorrência policial.
  • Pais em pânico correram à escola enquanto um vídeo circulava em grupos de WhatsApp, ampliando a revolta comunitária antes mesmo de qualquer resposta oficial.
  • A GCM defendeu a ação como proteção contra lesões físicas da briga, mas a Secretaria Municipal de Educação permaneceu em silêncio, deixando sem resposta as perguntas mais urgentes sobre protocolos e responsabilidade.

Na manhã de uma terça-feira em Goiânia, a escola municipal Dalka Leles virou palco de uma cena que deixaria pais apavorados e crianças em lágrimas. Cerca de dez alunos com dez ou onze anos passaram mal após agentes da Guarda Civil Metropolitana usarem spray de pimenta dentro da unidade escolar — durante uma visita que havia começado como palestra sobre civismo e segurança.

A diretora havia solicitado a presença da GCM justamente por causa de brigas frequentes e furtos na região. O que era para ser educativo saiu do controle quando adolescentes iniciaram uma nova briga na quadra, envolvendo entre trinta e quarenta jovens. Foi então que os agentes acionaram o spray, direcionado ao chão segundo a corporação, com o objetivo de dispersar a confusão.

O resultado afetou crianças que não estavam envolvidas na briga. Dez alunos começaram a sentir dificuldade para respirar e ardência nos olhos. Ambulâncias do Samu, bombeiros e a Polícia Militar foram chamados ao local. O comandante regional da GCM foi pessoalmente à escola conversar com os pais.

A corporação defendeu a ação argumentando que o objetivo era evitar lesões físicas graves entre os jovens, e que o Corpo de Bombeiros não identificou lesões após o atendimento. Mas a imagem permanecia: dez crianças passando mal dentro de um espaço que deveria ser seguro. Um vídeo circulou rapidamente em grupos de WhatsApp, alimentando a revolta da comunidade.

A Secretaria Municipal de Educação não respondeu aos pedidos de comentário. O episódio deixa em aberto questões sobre o uso de força contra menores em ambientes educacionais e sobre como proteger crianças — tanto da violência entre si quanto das respostas do próprio Estado.

Na manhã de uma terça-feira qualquer em Goiânia, a escola municipal Dalka Leles, localizada no residencial Orlando de Morais, virou palco de uma cena que deixaria pais apavorados e crianças em lágrimas. Cerca de dez alunos, a maioria com dez ou onze anos, passaram mal após agentes da Guarda Civil Metropolitana usarem spray de pimenta dentro da unidade escolar durante uma abordagem que começou como palestra e terminou em confusão.

Tudo começou quando a diretora da escola solicitou ao comando da GCM que enviasse agentes para ministrar uma palestra sobre civismo e segurança. A corporação vinha monitorando a escola desde o início do ano por causa de brigas frequentes na entrada e saída, além de um número elevado de furtos e roubos na região. O que deveria ser uma atividade educativa, porém, saiu do controle. Segundo o relato de Janilson Saldanha Oliveira da Silva, responsável pela comunicação da GCM, um distúrbio começou no banheiro da escola, onde adolescentes tiveram que ser dispersados pela presença dos guardas. Mas a situação piorou quando os jovens se dirigiram para a quadra e iniciaram uma nova briga, desta vez envolvendo entre trinta e quarenta crianças e adolescentes.

Foi nesse momento que os agentes decidiram usar o spray de pimenta. De acordo com Silva, o produto foi direcionado totalmente para o chão com o objetivo de dispersar os jovens envolvidos na confusão. O resultado, porém, afetou crianças que não estavam necessariamente envolvidas na briga. Cerca de dez alunos começaram a passar mal, respirando dificuldade, olhos ardendo, a sensação típica de quem é atingido pelo gás irritante. Ambulâncias do Samu e viaturas do Corpo de Bombeiros foram chamadas para prestar atendimento. A Polícia Militar também compareceu ao local.

O incidente gerou revolta imediata. Pais correram até a escola para verificar o que havia acontecido com seus filhos. Um vídeo feito por um aluno mostrava estudantes e responsáveis na porta da escola após a confusão, e a gravação foi compartilhada em diversos grupos de WhatsApp, espalhando a notícia rapidamente pela comunidade. O comandante da sétima unidade regional da GCM se dirigiu pessoalmente à escola para conversar com os pais e prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.

A corporação defendeu sua ação argumentando que a grande preocupação era proteger as crianças delas mesmas, evitando lesões como braços quebrados, mãos quebradas e hematomas que poderiam resultar de uma briga envolvendo quarenta jovens. Silva reforçou que a escola é um local de aprendizagem, não um espaço para praticar violência. Ele também afirmou que o Corpo de Bombeiros não identificou nenhum tipo de lesão após o processo. Mas o fato permanecia: dez crianças de dez a onze anos haviam passado mal dentro de uma instituição que deveria ser um espaço seguro de aprendizado.

A Secretaria Municipal de Educação de Goiás foi contatada pelo UOL para comentar o incidente, mas não respondeu até o momento da publicação. O episódio deixa em aberto questões sobre os protocolos de segurança em escolas municipais, sobre o uso de força contra menores em ambientes educacionais, e sobre como equilibrar a proteção contra violência entre alunos com a responsabilidade de manter crianças seguras de substâncias irritantes.

A grande preocupação da GCM foi proteger as crianças delas mesmas. Evitar lesões, como braços quebrados, mãos quebradas, hematomas
— Janilson Saldanha Oliveira da Silva, responsável pela comunicação da GCM
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que a GCM estava na escola naquele dia? Parecia uma situação de rotina?

Model

Não era rotina, mas também não era uma emergência. A diretora pediu que fossem lá para dar uma palestra sobre segurança e civismo. A corporação já vinha monitorando a escola porque havia brigas frequentes e roubos na região. Era uma tentativa de educação, não uma operação de crise.

Inventor

E como uma palestra virou uma situação onde spray de pimenta foi usado contra crianças?

Model

Começou pequeno. Um distúrbio no banheiro, adolescentes sendo dispersados. Mas depois, quando saíram da palestra, um grupo maior — entre trinta e quarenta crianças — começou a brigar na quadra. Os guardas decidiram que precisavam intervir com força.

Inventor

A GCM disse que direcionou o spray para o chão. Se foi assim, por que dez crianças passaram mal?

Model

Porque spray de pimenta não funciona assim. Mesmo direcionado para baixo, o gás se dispersa no ar. Crianças respiram, os olhos ardem. Não é possível controlar perfeitamente quem é atingido em um espaço fechado como uma quadra de escola.

Inventor

A corporação argumentou que estava protegendo as crianças de lesões piores. Há alguma lógica nisso?

Model

Há uma lógica, sim. Uma briga envolvendo quarenta jovens pode resultar em fraturas, hematomas graves. Mas o argumento ignora que usar spray de pimenta em crianças também causa dano — apenas um tipo diferente, químico em vez de físico.

Inventor

O que mais choca nessa história?

Model

Que ninguém esperava isso. Os pais mandaram seus filhos para a escola. A escola convidou a GCM para ensinar sobre segurança. E no final, crianças de dez anos tiveram que ser atendidas por ambulâncias porque foram expostas a um agente químico irritante. A ironia é pesada.

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